4 de set. de 2007

Matrix e a Metafísica


A trilogia Matrix que completou com Revolutions, gira em torno do tema da negação do que é percebido imediatamente em função de uma certeza sobre algo que, embora não percebido, é tomado como verdadeiro- motivo pelo qual se deve lutar por ele, mesmo que isso custe muito sofrimento e obstinação. Em termos filosóficos, isso mostra que a relação entre o percebido e o pensado tem dupla natureza: cognitiva(de conhecimento) e pratica(de ação, de vida).
No primeiro caso, o mundo da percepção, que obtemos através de nossos cinco sentidos e também inteiramente em nosso corpo, é tomado como sujeito a falhas, ilusões, equívocos de toda ordem, ao passo que podemos conceber mentalmente que, para além das aparências enganosas, há uma verdade mais substancial das coisas, embora ela resida apenas no pensamento. Esse esquema está presente em quase toda a historia da filosofia e também das ciências moderna. A primeira idéia filosófica que se tem noticia é a de tales de Mileto: tudo é água , significa que, embora aparentemente as coisas tenham formas, consistência, cores e outras propriedades bastante distintas, em sua essência todas elas possuem água como espécie de fundamento alcançável, não pelos sentidos, mas pela razão. Embora essa idéia, em termos de seu conteúdo, tenha se alterado totalmente, sua estrutura continua bastante atual. Hoje em dia, todas as teorias sobre a constituição atômica da matéria e sobre a origem do universo fazem apelo a seres, forças e eventos que estão as vezes muito alem do que podemos ver.
No segundo caso, da relação pratica, o que se pensa é tomado como muito mais valioso, necessário,
importante, do que as coisas que são vistas e percebidas em geral. Nesse caso, Aquilo que se pensa como verdade sobre o mundo demanda de nós um esforço para sua efetivação, coloca-nos motivações de vida que, ao mesmo tempo, estipulam valores para nossa própria pessoa, de acordo com o modo como nos posicionamos perante isso que é tomado como verdadeiro. Essa estrutura de pensamento é própria da religião, que se apóia fundamentalmente na fé, que é a crença em alguma coisa da qual não temos provas, mas a qual nos sentimos motivados de modo suficientemente forte.
Embora não tenha conteúdo religioso nem doutrinário, a filosofia de Platão conjuga aspectos cognitivos e pratico, formando aquilo que se convencionou chamar “metafísica”. Essa palavra, nascida de um equivoco histórico de denominar assim aquela doutrina aristotélica contida nos livros que viriam depois (meta-) dos da Física , passou a designar aquele tipo de pensamento que postula uma essência apenas pensável como raiz e substancia ultima do que é visto como contigente , variável e constituição das coisas relaciona-se ao mundo dos valores morais; trata-se, para o específicos, faz com que todo o real seja entendido através do vinculo com aquilo que se considera mais elevado, digno, nobre, eticamente valioso. Quando mais próximo desse bem absoluto, mais realidade tem a coisa.
A trilogia dos irmãos Wachovski faz uma elaboração narrativa a partir de uma percepção metafísica da realidade, deslizando progressivamente do plano cognitivo para o pratico. Não se trata de uma apropriação do conteúdo da metafísica platônica ou de qualquer outra, mas de um jogo de idéias, as vezes mais coerente, as vezes nem tanto, que estimulam a curiosidade do espectador sobre os paradoxos da metafísica.TheMatrixWallpaper1024

Filosofia Edificante

“Os filósofos edificantes nunca podem terminar uma filosofia, mas podem ajudar a prevenir-la de alcançar a trilha segura da ciência.(…)
Os filósofos edificantes são na maior parte do tempo, céticos em relação à filosofia sistemática. São reativos e oferecem sátiras, paródias, aforismos e sabem que seu trabalho perde o propósito quando o período contra o qual estão reagindo já terminou. Ao contrário dos filósofos sistemáticos que assim como cientistas pretendem construir para a eternidade. (…) Os filósofos contemporâneos deveriam seguir como os filósofos edificantes e continuar a Grande Conversação do Ocidente.”
Richard Rortyfrasco-mosca
Qual o seu objetivo em filosofia?
-Mostrar à mosca a saída do vidro.
Ludwig Wittgenstein

Quem corrompeu quem?

Amigos, todos nós conhecemos a famigerada frase de Rousseau tirada do seu livro “O Contrato Social” e que virou um belo de um jargão para a sociedade moderna:
“O homem nasce bom, a sociedade é que o corrompe.”
contrato_social
Porém, filosofando mais propriamente nesta frase, a sociedade que é feita por união de homens, tem em sua essência natural o homem, certo? Mas se ela é feita por união dos homens como ela pode corrompe-los se a sua natureza é a mesma de todos, é boa?
Onde está o mal então?
Como o homem bom foi corrompido pelo seu semelhante?
Quem foi o primeiro a corromper os homens?
E então, vamos filosofar?
Um grande abraço a todos.

Existo, sinto, logo penso

A exaltação cartesiana na razão construiu as bases para o pensamento moderno, e foi no dualismo mente corpo que o abismo se tornou maior, pois a mente, ou seja, o pensar foi concebido como uma atividade fora do corpo. Desse modo será que para pensar e tomar decisões corretas diante de problemas éticos e estéticos seria preciso manter a cabeça fria e afastar todos os sentimentos e emoções? Penso que não. Nesse sentido deveríamos ir ao contrário do pensamento cartesiano e afirmar: ”Existo, sinto logo penso”. Vejamos esta situação melhor, a razão como capacidade humana de pensar seria a responsável pelo pensar o certo e/ou o errado? Percebemos que após o segundo Wittgenstein que a faculdade da razão na verdade é uma espécie de convenção de associação de idéias realizadas na memória humana. Sabemos também que a memória é adquirida só após ter se passado pela experiência, pois esta é que lhe dará a lembrança de algo. Estamos falando aqui de todo e qualquer tipo de lembranças, pois sabemos hoje que o próprio DNA contém lembrança e esta depois vai acarretar no diz respeito ao conhecimento a priori. Mas no atenhamo-nos ao assunto agora. Após passar pela experiência o indivíduo reconhecerá o certo e/ou o errado na próxima situação. Tenhamos que afirmar assim como o grandioso Aristóteles em Ética a Nicômaco que a virtude, ou melhor, decisão pelo certo ou errado se dá através da percepção e não pela razão. Segundo ele você deve observar a situação, agir sentindo o que certo ou errado e depois deliberar sobre o acontecimento. Então antes da razão a decisão passa pelos sentidos, devemos sentir. Ação contraria a frieza intelectual dos racionalistas. Meus caros colegas, o fato que estamos falando aqui é : Pensar é unir os sentidos e interpretar os sentimentos. Analisemos os grandes gênios e suas aptidões para o que é belo, para as artes, musica ou seja, para o lado emocional, veremos que todos tinham fortes inclinações emocionais. Portanto a razão não é mais tão pura como pensávamos, agora amigos vocês sabem que não devem ser tão frios e racionais perante a vida, e que filosofar e saber olhar com os olhos do coração também.
Um abraço a todos, e em especial a Jorge Rosa por ter me adicionado em seu site “Caderno de Filosofia”. Obrigado pelos elogios, sua pagina também é maravilhosa, imperdível para os estudantes de Filosofia.
Até a próxima amigos!
descartes

O mundo que nos resta: O Mundo Aparente

 

Pois é, o nosso querido amiguinho, Nietzsche, fez uma crítica a falta de sentido histórico da filosofia e ao egipcismo dos filósofos tradicionalistas. Pois estes filósofos idolatram conceitos, e os empalham, como se fossem múmias conceituais. Nietzsche aponta esse erro em “O Crepúsculo dos Ídolos”. Para ele, os filósofos precisam e tem necessidade de um engano, o que provém da sensibilidade, sendo ArquivoExibirque a historia é a crença nos sentidos reais, ou seja, crença na mentira. Dizer não aos sentidos seria dizer não a humanidade. A ciência é aceitação dos sentidos. Para Heráclito os sentidos não mentem, o mundo aparente é o único, o mundo verdadeiro é um mundo acrescentado uma criação. A razão falsifica os sentidos. Nietzsche contrapõe Heráclito e Parmênides no sentido do movimento, onde que para Heráclito tudo é movimento e Parmênides a negação do movimento. E que para Platão o movimento está relacionado ao mundo sensível e o não-movimento ao mundo inteligível. Nietzsche se mostra contra esta dicotomia sobre o mundo verdadeiro e o mundo aparente. Nietzsche quer mostrar que só há ciência quando apreendemos a amar os sentidos, no sentido da afirmação dos sentidos. Ao contrario da metafísica, Teologia, Psicologia ou Teoria do conhecimento que de certa forma negam a realidade na sua profundidade. A confusão entre o primeiro e o último como critica ao vir-a-ser. Se é, é porque sempre foi, e não “chegou” a ser. Denotando que o Bem, o Belo, o incondicionado, não podem ter se tornado, pois a causa primeira é a causa de si. A questão da linguagem mostrando que o a idéia de ser deriva do “eu”. O “eu” como consciência, um sujeito distinguido do mundo, no transmundo Critica a razão “divina” dos filósofos que faz os homens serem o que são. A linguagem é a grande enganadora. Enquanto acreditarmos na gramática não estaremos livres de Deus. Nietzsche inicia uma discussão ao colocar que criar fabulas não vão ajudar e só provocam o “apequenamento” e restando como última alternativa criar uma ilusão sobre uma transvida melhor. O caminho seria o mundo aparente, dos sentidos. Pois este tem mais a ver com a realidade. Mesmo que para isto se fale como o artista de uma maneira trágica, dionisíaca.
O que Nietzsche pretende mostrar é que a verdade está no sujeito. E que o mundo verdadeiro está mais accessível para os virtuosos, como no caso o filosofo. Porém, este mundo verdadeiro ainda é inaccessível, pois ele aponta uma critica culposa a Kant por sua pretensão em conhecer o mundo real e os limites desse mundo. E vai além dizendo que além de inaccessível este mundo é desconhecido. E que é inútil tentar conhece-lo. E por tentar alcançar a idéia deste mundo verdadeiro perdemos o mundo aparente que era o único mundo que nos restava.