4 de set. de 2014

Afinal, sobre o que minha mente tem acesso?

Ao que parece nós não vivemos no mundo real, e nem no mesmo mundo que os demais.
Calma amigos, eu explico. O Filosofo Russel sugere em seu livro The analysis of matter(1927) que nunca podemos observar diretamente a nossa mente e que temos acesso apenas às representações desta.
Bem, eu diria que sempre a mente que posso observar é somente a minha, e mesmo assim essa mente está “contaminada” com minhas apercepções de mundo geradas no meu processo de cognição do mundo, talvez por isso uma coisa é para mim e é outra para outra pessoa.
Lacan, no Seminário 22, explicita seu conceito de Real, Simbólico e Imaginário, procurando na simbologia de Saussare explicações sobre a realidade, onde só conhecemos aquilo que representável por nossa mente através de símbolos, e o que não é representável é o Real. 
Aqui, mais uma vez o acesso direto ao mundo real esta vetado ao homem, só conhecemos a nossa própria mente.
O mundo que temos idéia é uma simulação feita pelo inconsciente com bases em nossos sentidos, memória, cognição e imaginação.
O filósofo Richard Rorty em seu livro a Filosofia como Espelho da Natureza(1988) também nos passa a idéia que a filosofia é como espelho refletindo em conceitos tudo que vemos do mundo, porém ele a vê de forma edificante onde os filósofos devem permanecer nesta constante conversa com o mundo ocidental, combatendo visões diferentes, talvez para se conseguir uma visão holística ou total sobre o espelho.
Ora, vivemos na representação individual que nosso cérebro inconsciente faz dele através das respostas que obtém a partir dos sentidos físicos e sensoriais isto somado a representação imaginativa que o cérebro faz a partir destas respostas. O fato que não temos acesso direto é porque essa representação de mundo passa por nossos sentidos e são interpretadas por nossa mente que uma vez teve um processo de cognição do mundo diferenciado, pois cada vivência é única, e cada mente vai perceber diferente cada objeto, cada sensação, cada idéia, cada representação.
Compartilhar uma mesma idéia de mundo idêntica depende não só de onde o individuo nasceu e a sua cultura, mas como também de como ele foi apresentado a cada uma das coisas que vão gerar informações a serem concatenadas no armazenamento do inconsciente. 
Como em nosso crânio não há janelas que possibilitem ver mundo sem passar pelos nossos sentidos, sem ser contaminado por nossas apercepções individuais de um sistema informação singular, livre de emoções. 
O mundo exterior existe, sim, isto é fato, é o que afeta, nos modifica e provoca a vida. 
O mundo exterior é responsável por nossos complexos, responsável pelas emoções que são concatenadas e inscritas no inconsciente no momento único da cognição de qualquer coisa no mundo. Por isto não temos acesso direto ao mundo pois nosso inconsciente já foi uma vez contaminado com nossas apercepções de mundo desde nossa infância, desde o momento que começamos a interagir com o mundo e as pessoas. 
E talvez por isso um mundo nunca é o mesmo mundo para uma pessoa, podemos até compartilhar algumas idéias semelhantes, mas a infinita combinação de processos cognitivos nos faz criar sempre um mundo diferente do outro e este está sempre em mutação, numa alternância dinâmica de informações devido ao meio externo. 
Através destas premissas podemos talvez inferir em estados universais a partir de outras experiências por indução, porém o que garantiria que os outros indivíduos que fornecem premissas indutivas também estejam contaminados com a mesma ideia acerca do mundo?
Isto implicaria em outras perguntas, como: 
O que podemos afirmar da realidade? 
Até aonde seus desejos e afetos contaminam suas apercepções do real?
Afinal, sobre o que minha mente tem acesso?
honestidade propria verdade verdadeiro mascara esconder real realidade espelho

O Mistério do Inconsciente frente a Filosofia da Mente

Depois de um tempo sem postar nada aqui no blog, volto com uma postulação divagando sobre o Inconsciente. O que é este aparelho que assim como a consciência temos quase certeza que de fato existe, mas que ainda nos falta informação para inferir com certeza cientifica.
Bem, vamos ao inicio, Freud, em sua teoria da primeira tópica, (A interpretação dos Sonhos – 1900) foi o primeiro a postular de fato a existência do Inconsciente dividindo a mente em três partes, a saber o Consciente, o Pré-Consciente e o Inconsciente. O Consciente é tudo aquilo que sabemos e porque sabemos, o momento presente, é o que dá razão e lógica a tudo que conhecemos. O Pré-Consciente é uma parte que contem as memórias que não são acessadas pelo Consciente no dia-a-dia e por isto ficam arquivadas para quando quiser acessar. E seria o Inconsciente o responsável por todas as escolhas e ações que temos que não entendemos conscientemente. Grosso modo, ele seria uma segunda pessoa que opera dentro de nossa mente pois não temos acesso ao inconsciente, somente a algumas pistas que ele deixa sem querer ou por querer transparecer através de sua comunicação simbólica através de sonhos, desejos, e em alguns erros na nossa linguagem como os atos falhos, lapsos e chistes.
É sabido pela Filosofia da Mente que o maior embate hoje é sobre o que produz a consciência, o que é a consciência. Aonde está o pensamento? Qual a matéria do pensamento? É o chamado “Problema Mente-Corpo.Este embate por fim acabou dividindo os filósofos da mente a priori em duas categorias:
Dualistas postulam mente e corpo são substancialmente diferentes, com realidades distintas.
Ex.: Corpo = Cérebro e Mente=Alma
Monistas postulam que mente e corpo são manifestações de uma mesma natureza.
Ex.: Neurocientistas, o cérebro físico produz o estado de consciência.
E essas duas categorias se subdividem em outras(ver).
Bem, se o maior embate hoje na ciência é sobre a consciência, e ainda não chegamos de fato a uma conclusão sobre o que é a consciência, como poderíamos afirmar sobre aquilo que nos é inconsciente?
A teoria mais aceita hoje no meio cientifico é a dos monistas, isto graças ao avanço da Neurociência. Mas se a consciência seria uma matéria física produzida pelo cérebro, assim como os monistas acreditam, o que seria o inconsciente?
E se a consciência fosse uma substância diferente da do cérebro físico, assim como os dualistas acreditam, seria o inconsciente uma terceira substancia?
O que me levaria a pensar contrastando a ciência e me apoiando ao postulado freudiano sobre o inconsciente e com toda a historia da filosofia da mente atual, é que a consciência pode até ser produzida pelo cérebro como os neurocientistas acreditam, no entanto o inconsciente seria então uma substancia diferente da que conhecemos. Bem, aqui nos levaria até a crer que Jung estaria mais perto dessa resposta ao postular a existência de uma inconsciência espiritual, o Inconsciente Coletivo, onde este reteria a memória de mundo explicando como a simbologia estaria intrínseca para todas pessoas e como algumas pessoas parecem nascer com dons manifestados ainda criança. Pois bem, aqui sim se encaixaria um hipótese de o inconsciente ser constituído de uma matéria diferente da do corpo físico, nesse caso espirita. Porém isto tudo são apenas divagações indutivas sobre teorias que versam sobre o mesmo objeto:
O Mistério da Consciência Humana.
Consciencia-Universo
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4 de set. de 2009

Sobre a memoria do Gênio

O Dr. Paulo Roberto Margutti em sua obra Iniciação ao Silêncio (1994) para exemplificar um dos livros que Wittgenstein teve contato à época de elaboração do Tractatus Logico-Philosophicus (1922) cita a obra Sex and Character (1906) de Otto Weininger, onde este mostra que o homem “está preso à temporalidade e não tem senso de valor, mas o gênio, além de ter uma lembrança universal, sua memória transcende o tempo, e somente aquilo que transcende o tempo é o que interessa ao indivíduo; marguttiaquilo que tem significado para ele, em suma, aquilo a que ele dá valor” (MARGUTTI, pág.63, 1994). Weininger ainda coloca que o filósofo também possui essa memória atemporal. Pois o filósofo lida com o universal e com o imutável. Bem, a nossa pergunta aqui seria: Como a mente poderia transcender o tempo pela lembrança, se a memória é sempre de algo que já passou? Transcederíamos para o passado? Com qual veículo isto é possível?
Bem, eu diria que nossas mentes pensam a uma certa velocidade e que no caso do gênio essa “velocidade” é mais alta do que normal.
Assim, todo nós podemos transcender o tempo com a nossa lembrança. Podemos lembra de algo que aconteceu num passado muito remoto e lembrar detalhes da experiência.Vi meu bisavô narrar histórias de 90 anos atrás como se fosse ontem, ou acontecendo hoje. Como isto é possível? O gênio não só lembra de várias coisas com seus detalhes vivos como consegue concatenar bem com outras coisas pois elas tambem estão latentes em sua mente. É um espécie de simbiose do pensamento. Por isto Weiniger colocou que a mente do gênio é atemporal. Mas eu diria, atempora nãol, mas sim temporal, em seu sentido pleno da experiência intuitiva do tempo.persistencia-da-memoria

4 de set. de 2008

Entender ou Concordar? Eis a questão

Será que entender é o mesmo que concordar?
Ou melhor, seria possível uma pessoa discordar sem entender?
E uma pessoa concordar sem entender, também seria possível?
Em filosofia, é preciso entender o autor antes de criticá-lo, o que às vezes não acontece num curso de filosofia. Muitos começam a discordar antes mesmo de entender completamente o que o autor está dizendo em sua obra.
Mas o que é mesmo essa coisa de entender?
E o que isso tem haver com concordar?
interroga%C3%A7%C3%A3o
?
Bom, é preciso haver uma espécie de entrega de si ao ler o texto de algum autor, compreender a sua singularidade, para só então depois colocar a sua.
Certa vez um aluno perguntou ao seu professor se ele conseguiria entender os motivos pelo qual está para suicidar. E se o professor o entender ele teria que concordar com o aluno que o melhor a se fazer era o suicídio, legitimando assim o ato.suicidio
Ora, o professor era contra aquela idéia de suicídio, no entanto ele conseguiu entender bem os motivos do aluno. Mesmo assim não poderia lhe dar o aval para uma idéia dessas.
Eu vejo que para casos como este é preciso pensar bem antes de responder.
O fato é o que o aluno está demonstrando ao professor é que A+B (como um dado contexto vivido pelo aluno) é igual a uma resultante AB.
Sendo AB é igual a C, que neste caso é o suicídio em si.
Onde Se ele viveu o contexto A, e em seguida o contexto B, logo o resultado seria AB, o que o levaria a C(suicídio) como o resultado final do contexto vivido e assim o professor legitimaria um futuro acidente com o rapaz.
A lógica é correta, A+B = AB, que por sua vez AB é igual a C.
No entanto C não é a única “saída”.
AB é igual C, mas existe uma escolha entre AB ou C onde somente o sujeito pode fazer esta escolha.
O que é melhor, AB ou C?
Para responder, faremos outra pergunta: O que é bom? O que mal?
Pensamos diferente uns dos outros. E não sabemos se o que é bom para um também o é para outro.
A escolha é subjetiva.
O indivíduo pode ser apenas AB sem que seja C, ou seja, uma espécie de escolha em viver mesmo tendo motivo lógico para o suicídio.
É possível entender racionalmente os motivos para o suicídio mas daí em concordar com o mesmo é uma particularidade do sujeito, entender a subjetividade não o mesmo que concordar com ela. Depende de uma série de valores e códigos que a pessoa adquiriu no decorrer de sua vida
Por isto a dificuldade da convivência nos dias de hoje. Temos que entender as singularidades.
Entender que cada um é cada um, e todos tem seus motivos para fazer as coisas.
Antes de concordar ou discordar é preciso entender o outro e o que ele está dizendo. Entendeu?
Agora que entenderam, deixo a vocês uma perguntinha:
Todo suicídio, seria lógico?suicidio-2143

Enquanto os “tubarões”comem…

Meus amigos é com imenso desprazer que deixo aqui expresso minha indignação pela péssima proposta educacional que as Secretarias do Estado de Minas Gerais veem desenvolvendo.
O ensino público está piorando cada vez mais e a culpa senhores, não é dos alunos.
Bem, o nosso atual governador Sr. Aécio Neves aprovou uma lei esse ano onde os professores que estiverem em cargos designados pelo Estado seriam efetivados. Isto para demonstrar um aumento na prestações de contas do Estado. O fato é que essa Lei deveria ser caducada este ano, e nao foi.
Agora os professores que foram efetivados pela Lei 100/2007 são efetivos e têm direito as vagas de designação nas escolas do estado.
O buraco maior se dá pelo fato que as aulas de Filosofia e Sociologia que segundo a Lei José de Alencar/2006 são obrigatórias nos três anos do ensino médio, estão sendo distribuídas nas Escolas para os professores efetivos.
Ou seja, em algumas escolas houve o acréscimo das disciplinas pela Lei Federal, mas ao mesmo tempo os profissionais estão lecionando com título precário, chamado CAT (Autorização Precária para Lecionar). E infelizmente com essa autorização há uma banalização onde todos aqueles que cursaram curso superior e obtém 120 horas no currículo sobre essas duas disciplinas(Filosofia e Sociologia) podem lecionar estes conteúdos. E nós profissionais da área, professores habilitados em Filosofia e Sociologia, estamos desvinculados das escolas, principalmente porque o Governo do Estado quer diminuir o custo com professores, e isso acarreta ao mesmo tempo uma qualidade educacional precária. E agora, como se não bastasse, os professores efetivos podem lecionar até três disciplinas diferentes na mesma escola, se houver vaga e se o professor tiver a autorização para lecionar estas disciplinas (olha o CAT aí de novo). Bastando apenas o professor efetivo levar seu histórico comprovando que teve pelo menos 120 horas de filosofia ou sociologia no currículo, o que equivale
exatamente a duas disciplinas nesse conteúdo em qualquer curso de graduação, e retirar o seu CAT para lecionar as matérias que “aumentaram” na escola.
E quanto nós, professores habilitados, só nos resta mesmo esperar. Temos que esperar que as vagas sejam preenchidas por professores NÃO HABILITADOS, e ficar olhando, para então após a festeja ignorante de acúmulos cargos, comer os restos que os tubarões deixam cair.tubaraobranco

Um conselho Rortyniano aos filósofos

” Os filósofos devem agir menos como padres,
que possuem coisas gerais e já prontas para dizer,
e agir mais como engenheiros e advogados,
que precisam pensar caso a caso”.
Richard Rorty

4 de set. de 2007

Matrix e a Metafísica


A trilogia Matrix que completou com Revolutions, gira em torno do tema da negação do que é percebido imediatamente em função de uma certeza sobre algo que, embora não percebido, é tomado como verdadeiro- motivo pelo qual se deve lutar por ele, mesmo que isso custe muito sofrimento e obstinação. Em termos filosóficos, isso mostra que a relação entre o percebido e o pensado tem dupla natureza: cognitiva(de conhecimento) e pratica(de ação, de vida).
No primeiro caso, o mundo da percepção, que obtemos através de nossos cinco sentidos e também inteiramente em nosso corpo, é tomado como sujeito a falhas, ilusões, equívocos de toda ordem, ao passo que podemos conceber mentalmente que, para além das aparências enganosas, há uma verdade mais substancial das coisas, embora ela resida apenas no pensamento. Esse esquema está presente em quase toda a historia da filosofia e também das ciências moderna. A primeira idéia filosófica que se tem noticia é a de tales de Mileto: tudo é água , significa que, embora aparentemente as coisas tenham formas, consistência, cores e outras propriedades bastante distintas, em sua essência todas elas possuem água como espécie de fundamento alcançável, não pelos sentidos, mas pela razão. Embora essa idéia, em termos de seu conteúdo, tenha se alterado totalmente, sua estrutura continua bastante atual. Hoje em dia, todas as teorias sobre a constituição atômica da matéria e sobre a origem do universo fazem apelo a seres, forças e eventos que estão as vezes muito alem do que podemos ver.
No segundo caso, da relação pratica, o que se pensa é tomado como muito mais valioso, necessário,
importante, do que as coisas que são vistas e percebidas em geral. Nesse caso, Aquilo que se pensa como verdade sobre o mundo demanda de nós um esforço para sua efetivação, coloca-nos motivações de vida que, ao mesmo tempo, estipulam valores para nossa própria pessoa, de acordo com o modo como nos posicionamos perante isso que é tomado como verdadeiro. Essa estrutura de pensamento é própria da religião, que se apóia fundamentalmente na fé, que é a crença em alguma coisa da qual não temos provas, mas a qual nos sentimos motivados de modo suficientemente forte.
Embora não tenha conteúdo religioso nem doutrinário, a filosofia de Platão conjuga aspectos cognitivos e pratico, formando aquilo que se convencionou chamar “metafísica”. Essa palavra, nascida de um equivoco histórico de denominar assim aquela doutrina aristotélica contida nos livros que viriam depois (meta-) dos da Física , passou a designar aquele tipo de pensamento que postula uma essência apenas pensável como raiz e substancia ultima do que é visto como contigente , variável e constituição das coisas relaciona-se ao mundo dos valores morais; trata-se, para o específicos, faz com que todo o real seja entendido através do vinculo com aquilo que se considera mais elevado, digno, nobre, eticamente valioso. Quando mais próximo desse bem absoluto, mais realidade tem a coisa.
A trilogia dos irmãos Wachovski faz uma elaboração narrativa a partir de uma percepção metafísica da realidade, deslizando progressivamente do plano cognitivo para o pratico. Não se trata de uma apropriação do conteúdo da metafísica platônica ou de qualquer outra, mas de um jogo de idéias, as vezes mais coerente, as vezes nem tanto, que estimulam a curiosidade do espectador sobre os paradoxos da metafísica.TheMatrixWallpaper1024

Filosofia Edificante

“Os filósofos edificantes nunca podem terminar uma filosofia, mas podem ajudar a prevenir-la de alcançar a trilha segura da ciência.(…)
Os filósofos edificantes são na maior parte do tempo, céticos em relação à filosofia sistemática. São reativos e oferecem sátiras, paródias, aforismos e sabem que seu trabalho perde o propósito quando o período contra o qual estão reagindo já terminou. Ao contrário dos filósofos sistemáticos que assim como cientistas pretendem construir para a eternidade. (…) Os filósofos contemporâneos deveriam seguir como os filósofos edificantes e continuar a Grande Conversação do Ocidente.”
Richard Rortyfrasco-mosca
Qual o seu objetivo em filosofia?
-Mostrar à mosca a saída do vidro.
Ludwig Wittgenstein

Quem corrompeu quem?

Amigos, todos nós conhecemos a famigerada frase de Rousseau tirada do seu livro “O Contrato Social” e que virou um belo de um jargão para a sociedade moderna:
“O homem nasce bom, a sociedade é que o corrompe.”
contrato_social
Porém, filosofando mais propriamente nesta frase, a sociedade que é feita por união de homens, tem em sua essência natural o homem, certo? Mas se ela é feita por união dos homens como ela pode corrompe-los se a sua natureza é a mesma de todos, é boa?
Onde está o mal então?
Como o homem bom foi corrompido pelo seu semelhante?
Quem foi o primeiro a corromper os homens?
E então, vamos filosofar?
Um grande abraço a todos.

Existo, sinto, logo penso

A exaltação cartesiana na razão construiu as bases para o pensamento moderno, e foi no dualismo mente corpo que o abismo se tornou maior, pois a mente, ou seja, o pensar foi concebido como uma atividade fora do corpo. Desse modo será que para pensar e tomar decisões corretas diante de problemas éticos e estéticos seria preciso manter a cabeça fria e afastar todos os sentimentos e emoções? Penso que não. Nesse sentido deveríamos ir ao contrário do pensamento cartesiano e afirmar: ”Existo, sinto logo penso”. Vejamos esta situação melhor, a razão como capacidade humana de pensar seria a responsável pelo pensar o certo e/ou o errado? Percebemos que após o segundo Wittgenstein que a faculdade da razão na verdade é uma espécie de convenção de associação de idéias realizadas na memória humana. Sabemos também que a memória é adquirida só após ter se passado pela experiência, pois esta é que lhe dará a lembrança de algo. Estamos falando aqui de todo e qualquer tipo de lembranças, pois sabemos hoje que o próprio DNA contém lembrança e esta depois vai acarretar no diz respeito ao conhecimento a priori. Mas no atenhamo-nos ao assunto agora. Após passar pela experiência o indivíduo reconhecerá o certo e/ou o errado na próxima situação. Tenhamos que afirmar assim como o grandioso Aristóteles em Ética a Nicômaco que a virtude, ou melhor, decisão pelo certo ou errado se dá através da percepção e não pela razão. Segundo ele você deve observar a situação, agir sentindo o que certo ou errado e depois deliberar sobre o acontecimento. Então antes da razão a decisão passa pelos sentidos, devemos sentir. Ação contraria a frieza intelectual dos racionalistas. Meus caros colegas, o fato que estamos falando aqui é : Pensar é unir os sentidos e interpretar os sentimentos. Analisemos os grandes gênios e suas aptidões para o que é belo, para as artes, musica ou seja, para o lado emocional, veremos que todos tinham fortes inclinações emocionais. Portanto a razão não é mais tão pura como pensávamos, agora amigos vocês sabem que não devem ser tão frios e racionais perante a vida, e que filosofar e saber olhar com os olhos do coração também.
Um abraço a todos, e em especial a Jorge Rosa por ter me adicionado em seu site “Caderno de Filosofia”. Obrigado pelos elogios, sua pagina também é maravilhosa, imperdível para os estudantes de Filosofia.
Até a próxima amigos!
descartes

O mundo que nos resta: O Mundo Aparente

 

Pois é, o nosso querido amiguinho, Nietzsche, fez uma crítica a falta de sentido histórico da filosofia e ao egipcismo dos filósofos tradicionalistas. Pois estes filósofos idolatram conceitos, e os empalham, como se fossem múmias conceituais. Nietzsche aponta esse erro em “O Crepúsculo dos Ídolos”. Para ele, os filósofos precisam e tem necessidade de um engano, o que provém da sensibilidade, sendo ArquivoExibirque a historia é a crença nos sentidos reais, ou seja, crença na mentira. Dizer não aos sentidos seria dizer não a humanidade. A ciência é aceitação dos sentidos. Para Heráclito os sentidos não mentem, o mundo aparente é o único, o mundo verdadeiro é um mundo acrescentado uma criação. A razão falsifica os sentidos. Nietzsche contrapõe Heráclito e Parmênides no sentido do movimento, onde que para Heráclito tudo é movimento e Parmênides a negação do movimento. E que para Platão o movimento está relacionado ao mundo sensível e o não-movimento ao mundo inteligível. Nietzsche se mostra contra esta dicotomia sobre o mundo verdadeiro e o mundo aparente. Nietzsche quer mostrar que só há ciência quando apreendemos a amar os sentidos, no sentido da afirmação dos sentidos. Ao contrario da metafísica, Teologia, Psicologia ou Teoria do conhecimento que de certa forma negam a realidade na sua profundidade. A confusão entre o primeiro e o último como critica ao vir-a-ser. Se é, é porque sempre foi, e não “chegou” a ser. Denotando que o Bem, o Belo, o incondicionado, não podem ter se tornado, pois a causa primeira é a causa de si. A questão da linguagem mostrando que o a idéia de ser deriva do “eu”. O “eu” como consciência, um sujeito distinguido do mundo, no transmundo Critica a razão “divina” dos filósofos que faz os homens serem o que são. A linguagem é a grande enganadora. Enquanto acreditarmos na gramática não estaremos livres de Deus. Nietzsche inicia uma discussão ao colocar que criar fabulas não vão ajudar e só provocam o “apequenamento” e restando como última alternativa criar uma ilusão sobre uma transvida melhor. O caminho seria o mundo aparente, dos sentidos. Pois este tem mais a ver com a realidade. Mesmo que para isto se fale como o artista de uma maneira trágica, dionisíaca.
O que Nietzsche pretende mostrar é que a verdade está no sujeito. E que o mundo verdadeiro está mais accessível para os virtuosos, como no caso o filosofo. Porém, este mundo verdadeiro ainda é inaccessível, pois ele aponta uma critica culposa a Kant por sua pretensão em conhecer o mundo real e os limites desse mundo. E vai além dizendo que além de inaccessível este mundo é desconhecido. E que é inútil tentar conhece-lo. E por tentar alcançar a idéia deste mundo verdadeiro perdemos o mundo aparente que era o único mundo que nos restava.

4 de set. de 2006

Quem é esse tal Big Brother?

Bem, ultimamente tenho me pegado assistindo aquele famoso programa de televisão onde as pessoas ficam trancadas em casa travando uma competição e o vencedor será aquele que for o mais querido para os telespectadores. Este felizardo levará para casa a singela bagatela de um milhão de reais. Isto meus amigos, estamos falando do famigerado Big Brother Brasil.BBB_logo
Mas que jogo que se diz “Reallity Show” onde se tem o bem e mal em um pequeno grupo de pessoas? Uns querendo levar vantagem sobre os outros, e acaba que no fim não sabemos nem o por que levamos a acreditar que uns são “do bem” e outros “do mal”, sendo que todos têm a mesma intenção dentro da casa: Faturar o pomposo prêmio de um milhão de dinheiros.
Seja de forma humilde, seja com arrogância, seja fingindo ser bom ou maquinando planos milaborantes. É preciso ter muito carisma, ou inteligência para continuar nesse jogo. O vencedor deve ser uma combinação dessas das duas qualidades. Agora aqueles que não têm nenhuma dessas qualidades mostra o que tem de melhor, ou não tem.
Estes serão como ovelhas para o pasto.
Ainda tem o apresentador que sempre aparece na hora marcada da noite. Uma figura masculina, quase paternal e que dentre estas aparições, uma vez por semana, obriga a todos a fazerem uma espécie de ritual. Entrar numa salinha chamada de “confessionário” e contar a essa figura “paternal” quem deverá ser punido, o julgamento final. Nesse “paredão” uma sentença ou depoimento é lida aos Brothers “pecadores” sempre antes do término do programa e após é dada a decisão do júri, popular. Claro!
Isto acaba por me lembrar outra coisa. A igreja, com seu grande poder de instituição social e com o poder Papal do seu clero, uma figura masculina, paternal que decide sobre aqueles que seguem os ensinamentos corretos da Bíblia. O olhar recriminante e onisciente da igreja frente aos pecadores mundanos e as 48 câmeras de TV espalhadas pela casa.
Seria então os “Brothers” os “Irmãos” de Fé?
Não sei!
Só sei que o fato maior é que o dinheiro que é lucrado pela emissora nas ligações em noites de eliminação, ou melhor dizendo, “paredão” eles chegam a faturar absurdos, claro que em conjunto com a empresa telefônica. Bem, eu não me despertaria nenhum pouco para ver tal tipo de programa, porém a popularidade deste chega ao extremo, vejo que todos parecem estar assistindo uma novela, a melhor novela de todos os tempos, e não podem perdem um capitulo se quer. Volta e meia na casa de minha namorada agente assiste, interage com as votações e por fim acabamos torcendo por aqueles protagonistas que se afirmam serem “os do bem”.
É, no fim todos acabam se rendendo ao “fenômeno”.
Claro que como toda história feliz tem um final feliz.
E por mais que tudo seja uma farsa, ou imitação do modelo arquétipo de nossas vidas, a população brasileira ainda continuará a assistir ao fenômeno Big Brother Brasil e continuaram a dar seus milhões em votos para a emissora Globo TV que conseguiu com sua novela “quase” real da vida alheia transformar-se em fenômeno do entretenimento nacional.
Sorte para aqueles que saírem da casa com uma boa quantia de dinheiro e prêmios, ou pelo menos fama e reconhecimento de algum talento reconhecido, azar para aqueles que não ganharam nada, foram mal interpretados, ou “julgados” e ainda por cima viveram sobre maldição do fantasma do Big Brother: – Ei, eu te conheço de algum lugar?
Bom, no mais é isso.
E a vida inteligente continua: fora da casa.
E o povo?
Bem, estes continuaram a assistir, votar e pagar, assistir,votar e pagar, pagar, pagar e pagar…bbb8

O médico de Sócrates

A Filosofia teve seu inicio bem dizer com Sócrates trazendo a discussão para o campo da moral, da razão e do homem.
Sócrates influenciou toda a Europa e todo o Ocidente com sua Filosofia. E no texto de Nietzsche “O problema de Sócrates”, ele observa que Sócrates sempre esteve enfermo. O médico era a morte. Para Nietzsche o problema de Sócrates foi que ele queria explicar tudo com a razão, onde, a razão somada a virtude seria igual à felicidade. Esse problema se casou uma enfermidade e Sócrates se tornou o Problema do Ocidente. O pensador Nietzsche que, de uma forma magistral, viu que, desde Sócrates , a cultura ocidental se tornou logocêntrica.  E desde então, tudo e todos para que sejam como são, devem aparecer medidos ou sob a custódia disto que é a razão. Desde o momento em que tudo que é, para ser, precisou passar pelo crivo ou pelo tribunal da razão, a máxima de Hegel – todo real é racional – passou a valer como credo ou dogma indiscutível na história do ocidente; Após a gênese desta forma de instauração da relação homem – real, lembrando Nietzsche, não somente o real passou a ser aquilo que diz a razão, como a razão passou a corrigir, isto é, modificar e aperfeiçoar o real, se ele não corresponde ao que deve ser.   Se antes ele estava enfermo e a morte foi seu médico, o que dizer da sociedade no mundo Ocidental de hoje?A Morte de Sócrates

Assombração só aparece para quem acredita”

Depois de assistir o Filme, “What the bleep do we know?” traduzido no Brasil por “Quem somos nós?” tive uma enorme curiosidade em pesquisar mais sobre a Fisica Quântica.
Bem, para a Física Quântica a pergunta sobre o homem e o Universo se baseia primeiramente em uma questão de possibilidades. Pois sobre o olhar da Física Quântica nós não somos mais partículas e átomos, ou seja, substancia sólida apenas, como pensavam anteriormente na Física clássica, mas sim também e altamente relevante composto de massa vazia onde esta pode definir e escolher dentre as varias possibilidades para com o mundo externo nos oferece apartir daquilo que ocorre na nossa consciência, no nosso “observador” interior que experimenta o fenômenos.
Ao contrario da Física Clássica e os modelos Newtonianos, a Física Quântica demonstra que o Universo não é o lugar do determinismo, e coisas objetivas, mas sim da incerteza de possibilidades, pois as informações que conseguimos captar de nosso cérebro ainda é muito pequena sobre a imensidão do mundo que nos rodeia. E com o avanço da neurociência vimos que todo o nosso comportamento está baseado em substancias químicas que agem em determinadas partes localizadas no cérebro, e que estas reações químicas estabelecem por fim as nossas respostas as mais variadas situações no mundo externo. E que, de acordo com o Filme “Quem somos nós?” (What the bleep do we know?) nós podemos mudar a possibilidade de um acontecimento, mesmo que para nosso intelecto seja uma coisa impossível, para algo positivo, mostrando que o impossível pode ser possível apartir de uma crença real sobre o mundo incrível que está diante de nós, mas que não conseguimos ver. O fato para tal é que o homem já é negativista por natureza sobre sua vida e tende sempre a re-criar os padrões de realidade de forma como foi acostumado a acreditar, conformado que não tem poder nenhum sobre a situação presente. Desse modo, sob a ótica da Física Quântica, o Ser-Humano é um Ser de possibilidades, é um peixe imerso num vasto oceano, e este oceano nada mais é que o desconhecido. Será que sabemos agora então o porque que da famigerada frase dita por incautos medrosos “Assombração só aparece pra quem acredita” ? Un…
Não sei. Mas depois de assitir esse filme e pegar as explicações sobre a Fisica Quântica, temos muita coisa para pensar.
Um abraço a todos.
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