4 de set. de 2014

Afinal, sobre o que minha mente tem acesso?

Ao que parece nós não vivemos no mundo real, e nem no mesmo mundo que os demais.
Calma amigos, eu explico. O Filosofo Russel sugere em seu livro The analysis of matter(1927) que nunca podemos observar diretamente a nossa mente e que temos acesso apenas às representações desta.
Bem, eu diria que sempre a mente que posso observar é somente a minha, e mesmo assim essa mente está “contaminada” com minhas apercepções de mundo geradas no meu processo de cognição do mundo, talvez por isso uma coisa é para mim e é outra para outra pessoa.
Lacan, no Seminário 22, explicita seu conceito de Real, Simbólico e Imaginário, procurando na simbologia de Saussare explicações sobre a realidade, onde só conhecemos aquilo que representável por nossa mente através de símbolos, e o que não é representável é o Real. 
Aqui, mais uma vez o acesso direto ao mundo real esta vetado ao homem, só conhecemos a nossa própria mente.
O mundo que temos idéia é uma simulação feita pelo inconsciente com bases em nossos sentidos, memória, cognição e imaginação.
O filósofo Richard Rorty em seu livro a Filosofia como Espelho da Natureza(1988) também nos passa a idéia que a filosofia é como espelho refletindo em conceitos tudo que vemos do mundo, porém ele a vê de forma edificante onde os filósofos devem permanecer nesta constante conversa com o mundo ocidental, combatendo visões diferentes, talvez para se conseguir uma visão holística ou total sobre o espelho.
Ora, vivemos na representação individual que nosso cérebro inconsciente faz dele através das respostas que obtém a partir dos sentidos físicos e sensoriais isto somado a representação imaginativa que o cérebro faz a partir destas respostas. O fato que não temos acesso direto é porque essa representação de mundo passa por nossos sentidos e são interpretadas por nossa mente que uma vez teve um processo de cognição do mundo diferenciado, pois cada vivência é única, e cada mente vai perceber diferente cada objeto, cada sensação, cada idéia, cada representação.
Compartilhar uma mesma idéia de mundo idêntica depende não só de onde o individuo nasceu e a sua cultura, mas como também de como ele foi apresentado a cada uma das coisas que vão gerar informações a serem concatenadas no armazenamento do inconsciente. 
Como em nosso crânio não há janelas que possibilitem ver mundo sem passar pelos nossos sentidos, sem ser contaminado por nossas apercepções individuais de um sistema informação singular, livre de emoções. 
O mundo exterior existe, sim, isto é fato, é o que afeta, nos modifica e provoca a vida. 
O mundo exterior é responsável por nossos complexos, responsável pelas emoções que são concatenadas e inscritas no inconsciente no momento único da cognição de qualquer coisa no mundo. Por isto não temos acesso direto ao mundo pois nosso inconsciente já foi uma vez contaminado com nossas apercepções de mundo desde nossa infância, desde o momento que começamos a interagir com o mundo e as pessoas. 
E talvez por isso um mundo nunca é o mesmo mundo para uma pessoa, podemos até compartilhar algumas idéias semelhantes, mas a infinita combinação de processos cognitivos nos faz criar sempre um mundo diferente do outro e este está sempre em mutação, numa alternância dinâmica de informações devido ao meio externo. 
Através destas premissas podemos talvez inferir em estados universais a partir de outras experiências por indução, porém o que garantiria que os outros indivíduos que fornecem premissas indutivas também estejam contaminados com a mesma ideia acerca do mundo?
Isto implicaria em outras perguntas, como: 
O que podemos afirmar da realidade? 
Até aonde seus desejos e afetos contaminam suas apercepções do real?
Afinal, sobre o que minha mente tem acesso?
honestidade propria verdade verdadeiro mascara esconder real realidade espelho

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